Após um, vamos dizer, breve período em que dividimos nossa vida, rotina e tempo com alguém e este período termina, vem a reflexão. Longos dias de pensamentos buscando culpados, razões, respostas. Tentamos entender porque, depois de um longo período de “solteirice” insistimos em certos erros que, lá atrás, prometemos a nós mesmos nunca mais cometer? Na busca de culpados, os mais humildes, sabem que são eles mesmos. Dificilmente é o outro, porque ele seguiu você e no trajeto ele acreditou que estava tudo certo.
De toda a forma, refletir sobre tudo o que passou, se torna um processo de “ler um contrato de rescisão”. Longas páginas dizendo tudo o que pode, o que deve e não deve ser feito e no final, nas letras miúdas, concorda em encerrar, mais uma vez, uma história que tinha tudo para dar certo. No fim, ambos assinam, se cumprimentam e cada um seguirá sua história por conta própria, simples assim. Ou nem tanto. O tempo de reflexão trás junto alguns baldes de lágrimas, também.
Quando as cabeças esfriam, o tempo trás com ele um espaço que vai cada vez mais ficando maior e maior. Com ele, também, trás o silêncio ensurdecedor do telefone, do Whatsapp. Trás as ausências, também. O “bom dia!”, a cadeira vazia do outro lado da mesa no café da manhã, a mensagem de “saudades” durante o trabalho e o abraço no vazio ao virar-se para o lado da cama onde deveria estar o seu porto seguro para se aconchegar no inverno. Chegam os momentos em que nos damos contas que existia muito mais alegrias do que tristezas, afinal de contas.
Percebemos, depois de um tempo, que a história poderia ser outra, que o destino teria sido diferente se uma atitude tivesse sido tomada, uma palavra não tivesse sido dita ou se aquela ligação não tivesse sido atendida. Se aquela frase de conforto tivesse sido dita ou evitado explodir no momento em que um abraço teria resolvido o problema, hoje, como diria uma música “ainda, seríamos nós dois”.
No final das contas o que sobra não são as lágrimas porque elas secam ou as dores, porque um dia elas passam. Sobra a lição aprendida, a missão cumprida porque nem sempre tudo só se resume em sexo e beijos quentes. De alguma forma um ajudou o outro, não importa de que forma. Infelizmente a promessa de que nunca será abandonado não pode ser cumprida, mais uma vez. Infelizmente aquela pessoa não foi a última. Hoje você seguirá sozinho por mais um tempo e este espaço deixado será ocupado por outra pessoa em que dirá as mesmas belas palavras no início, terá momentos maravilhosos no início. Isso é uma certeza. Mas passará por outros desafios e lembrará do quanto uma vida a dois é difícil ser mantida. O quando de combustível é necessário para manter a chama do amor acesa e o quanto precisamos de controle emocional e espiritual para que uma união se mantenha.
Na vida de amores tudo tem dois lados e é por isso que dizemos “viver à dois”. O lado que oferece e o lado que aceita, o lado que entristece e o lado que acalenta, o lado que sente frio e o lado que esquenta. Se tudo isso é ignorado, no final, tudo é o lado espaço e o lado do tempo.
Paz e Luz para todos! Até a próxima.






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